A "mea culpa" do FMI

18-09-2013 13:45

 

Um recente estudo do FMI vem dizer que as políticas de austeridade levadas a cabo pelos países em ajustamento (como Portugal) tem sido excessivas, afirmando mesmo que tem sido aplicadas medidas erradas em muitas situações. Diz mesmo que, se as medidas não forem aplicadas de forma “progressiva”, poderá levar a situações de desigualdades e de injustiça.

O que causa espanto não são estas conclusões - que apontam para os efeitos nefastos da austeridade na economia - situação a que muitos economistas (nacionais e internacionais, incluindo alguns Nobel da Economia) vem alertando nos últimos dois anos. O que causa espanto é esta aparente divergência de opiniões dentro do FMI, que ao nível técnico vem agora por em causa as decisões (políticas ou ideológicas) defendidas publicamente pelos responsáveis máximos do FMI. Esta aparente “mea culpa” deixa no ar algumas questões:

  • O FMI não consegui antecipar as consequências das políticas de austeridade? Se assim foi, indicia uma clara incompetência dos seus economistas e técnicos responsáveis…
  • O FMI sabia dos impactos prejudiciais destas medidas, levando à contração da economia e a efeitos recessivos, mas considerando como efeitos colaterais, mas suportáveis, o aumento das desigualdades sociais, a iniquidade da distribuição dos rendimentos, o aumento do desemprego ou o aumento de situações de pobreza?..

 

Qualquer uma destas duas razões é grave. Mas mais grave é se, após este reconhecimento pelo FMI do falhanço e do erro das políticas propostas e implementadas, não houver uma mudança significativa no resto do caminho a percorrer…

 

Relatório disponível em http://www.imf.org/external/np/pp/eng/2013/072113.pdf