Da estagnação à valorização digital

18-12-2013 16:02

 

Os dados mais recentes de utilização da Internet acabam de ser publicados pelo Eurostat, evidenciando que existe ainda um atraso significativo de Portugal face à média da UE 28, apesar dos investimentos e avanços significativos do país na última década. São de destacar os seguintes dados para Portugal:

 

  • 33% das pessoas nunca utilizaram a Internet, sendo o 5ª país da UE 28 com pior registo (onde o valor é de 21%);
  • 65% das pessoas utilizaram a Internet nos últimos 12 meses, ocupando Portugal o 22º lugar na UE 28 (onde o valor é de 77%);
  • Apenas 58% das pessoas utilizam a Internet pelo menos uma vez por semana (23º lugar na UE 28).

 

Onde Portugal tem também atrasos significativos é ao nível do comércio eletrónico, sendo o 7º país onde as pessoas menos compraram ou encomendaram produtos ou serviços através da Internet, nos últimos 12 meses (apesar do progresso registado entre 2008-2013).

 

Contudo, de registar que a área onde Portugal apresenta resultados mais satisfatórios é no eGovernment, sendo o 11º país onde os cidadãos mais contactaram ou interagiram com os serviços públicos através da Internet, nos últimos 12 meses. Estes dados vem confirmar o bom desempenho de Portugal no panorama europeu no eGovernment, sendo de recordar que Portugal passou a ocupar o 1º lugar do ranking europeu de disponibilização e sofisticação dos serviços públicos eletrónicos, em 2009 (muito devido às iniciativas do programa SIMPLEX, elogiadas e premiadas internacionalmente).  

 

Estes dados mostram que Portugal não está ainda a tirar o melhor partido da infraestrutura de excelência que possui ao nível das tecnologias baseadas na Internet, quer fixa (redes de Fibra Ótica) quer móvel (LTE/4ª geração), com uma cobertura territorial praticamente total. E sabendo-se que a Internet é atualmente tão vital para a competitividade dos países como o foi a eletricidade no Séc. XX, o desafio para os próximos anos estará no desenvolvimento de políticas de inclusão e de valorização digital, quer ao nível dos cidadãos quer das empresas.

 

A inclusão digital, promovida de forma isolada, não é o suficiente; é necessário também que sejam desenvolvidas iniciativas de valorização digital, de forma a que se tire o melhor partido das vantagens proporcionadas pela Internet. Tal como as empresas têm a oportunidade de utilizar e desenvolver novos modelos de negócio, de chegar a novos clientes e a novos mercados, as tecnologias digitais possibilitam que os cidadãos sejam não só recetores (ou seja, que tenham acesso a novos produtos e serviços), mas também que tenham um papel ativo e que sejam envolvidos ao longo do processo produtivo desses bens e serviços. As iniciativas de valorização digital, promovidas numa lógica de inovação aberta, constituem assim o próximo desafio para que Portugal recupere da aparente estagnação digital... 

 

(dados sobre utilização da Internet em http://epp.eurostat.ec.europa.eu/statistics_explained/index.php/Internet_use_statistics_%E2%80%93_individuals)