Portugal sobe um lugar no ranking de inovação do Global Innovation Index 2013

05-07-2013 08:07

 

Uma das poucas áreas onde Portugal mantem um registo de convergência com a UE27 e com a OCDE é na área da Inovação, muito devido aos esforços das políticas públicas desenvolvidas (essencialmente) desde 1995 ao nível da estruturação do sistema científico e tecnológico e, com mais profundidade, a partir de 2005, com as políticas desenvolvidas no âmbito do Plano Tecnológico.

As estatísticas e principais rankings internacionais comprovam estes factos. A confirmação mais recente é dada pelo Global Innovation Index 2013 (uma publicação anual da responsabilidade da Cornell University, do INSEAD e da WIPO - Organização Mundial da Propriedade Intelectual (das Nações Unidas), onde Portugal sobre um lugar face à posição ocupada no relatório de 2012, ocupando este ano o lugar 34 entre 142 países.

Apesar do impacto da crise internacional e das políticas de austeridade vigentes em Portugal desde 2011, a área da Inovação está a sentir esses efeitos de forma menos acentuada. Por um lado, isso deve-se ao facto do efeito das medidas de austeridade ainda não estarem incorporadas totalmente nos rankings internacionais de inovação, dado que a maior parte dos indicadores se referirem aos anos de 2009, 2010, 2011 e (poucos) de 2012 - este desfasamento temporal é uma realidade com que as estatísticas e rankings se defrontam constantemente, levando a que os resultados que saem num determinado momento não reflitam a situação real desse mesmo momento (por isso, há que ter esta questão em mente quando se analisam estatísticas e rankings). Por outro lado, o facto dos impactos das políticas de inovação se fazerem sentir a médio e longo-prazo, leva a que as estatísticas atuais estejam a refletir os investimentos efetuados ao longo de anos anteriores, principalmente a partir de 2005.

De acordo com o Global Innovation Index 2013, Portugal é mesmo um dos melhores países do mundo em alguns indicadores importantes, nomeadamente:

  • Ambiente para fazer negócios (17º lugar)
  • Facilidades nas insolvências (22º lugar)
  • Investimento em Educação (19º lugar)
  • Graduados em Ciência e Tecnologia (25º lugar)
  • Investimento (público e privado) em I&D (25º lugar)
  • Rácio aluno-professor no Ensino Secundário (4º lugar)
  • Nº Investigadores por mil habitantes (5º lugar)
  • Colaboração empresa-universidade (26º lugar)
  • Publicações científicas (12º lugar)
  • Investimento em software (9º lugar)
  • Investimento no exterior (12º lugar)
  • Registo de marcas (6º lugar)
  • Novos negócios em TIC (21º lugar)

 

Por seu lado, os indicadores com piores resultados regista-se nas áreas em que é reconhecido haver maiores problemas em Portugal, nomeadamente:

  • Ambiente regulatório (93º lugar)
  • Produtividade do Trabalho (108º lugar)
  • Formação Bruta de Capital Fixo (Investimento em infraestruturas) (124 lugar)
  • Emprego em conhecimento intensivo (70º lugar)
  • Empresas que oferecem formação profissional (60º lugar)
  • Alianças e joint-ventures (91º lugar)
  • I&D financiada pelo estrangeiro (65º lugar)

 

O relatório chama também a atenção para a importância dos países apostarem na política de clusters como forma de aumentar o potencial de inovação das empresas e dos territórios, salientando que os clusters mais inovadores são aqueles que combinam investimento público e privado, e onde existe o compromisso das políticas públicas na criação e dinamização de estímulos à inovação e ao investimento empresarial. Na política de clusters, Portugal encontra-se a meio da tabela (lugar 54º), apesar dos esforços que tem vindo a ser desenvolvidos desde 2007.

Pela primeira vez, o Global Innovation Index 2013 elabora um capítulo específico sobre o papel da Inovação Aberta (open innovation) no estímulo à competitividade dos países, sugerindo que as políticas públicas sejam desenhadas e orientadas para estimular as práticas de inovação aberta, criando um ambiente favorável aos fluxos de conhecimento e tecnologia, à cooperação entre os atores do sistema de inovação, à valorização das ideias e conhecimento geradas dentro e fora da empresa, e uma maior ligação às redes internacionais de conhecimento.

Como as políticas de inovação não dependem das condições meteorológicas nem do alinhamento dos astros, resta esperar e contribuir ativamente para que se continue a olhar para a Inovação como peça central do desenvolvimento do país.

 

Relatório disponível em http://www.globalinnovationindex.org/content.aspx?page=gii-full-report-2013